18 de março de 2020
No baile de máscaras, eu sou a Rainha Ilusão
20 de novembro de 2015
7 de junho de 2012
22 de setembro de 2011
Auto Nu
Eu te perdoo por querer ter sido egoísta quando na verdade tu nunca quiseste sê-lo. E te perdoo por acreditar piamente nisso de “olhos de ressaca” desde os dezesseis anos, como se já tivesses visto algo parecido durante tua até então breve vida. Por reiterar, com olhos sonhadores, que, sim, alguém tinha os olhos verdes mais misteriosos que já conheceras, tu não merecias o julgamento nem meu nem de ninguém menos gentil. Eu te perdoo pela panela ainda quente sobre a perna mas com a comida já fria, pelas lágrimas vertidas em dias difíceis e especialmente pelo modo como, quase inocentemente, tens teu próprio tempo, ainda que nunca tenhas conseguido de fato deter o poder da tua própria vida, sabendo que as piores amarras são as sutis e invisíveis.
Eu te perdoo principalmente por às vezes teres sonhos leves e doces com uma lembrança não tão doce assim, e por acordares sorrindo desses sonhos, mesmo com um certo perigo de seres descoberta em tua alegria. E te perdoo por amares (erradamente?) com posse, com força, com a emoção de alguém tão radical. Eu te perdoo pelas lingeries, pelos desejos secretos contidos nelas, e pelo sentimento de poder que isso te causa. E perdoo a crença cega em monogamia, mesmo que tu não saibas muito bem o que isso te acarretará na vida. Eu te perdoo, de olhos fechados, também pelos atos covardes cometidos no passado, bem como a vontade lá no fundo (ou seria lá no raso?) da tua alma de trangredir as normas. Eu perdoo também o que mais odeio em ti, e tu sabes bem o que é. Aprende a lidar bem com isso.
Eu te perdoo pela imaturidade. E, acima de tudo, eu te perdoo pelos poemas.
9 de setembro de 2011
19 de março de 2011
Ao som de Jean-Baptiste Maunier
Em momentos como esse
Tão nossos... tão únicos,
É que somos quem somos. Nem reis, nem poetas- seres humanos.
No trem da vida vão-se todos- até quem não quer.
E todos chegamos a um mesmo lugar;
A diferença é a viagem.
18 de fevereiro de 2011
Só
“Não deixo marcas no caminho para não saber voltar”- Roberto Carlos
Caminhou até a ponte uma última vez antes de ir embora, e o que lhe aflorou foi um sentimento bom e ao mesmo tempo ruim de nostalgia. Pela primeira vez tomou coragem para olhar para o horizonte, e ficou um pouco surpreso ao ver as flores de sua infância:
- Margaridas!
E isso o fez lembrar-se da mãe, também Margarida, e rapidamente o cheiro das referidas flores, tão conhecido, penetrou em suas narinas e o fez sorrir quase que involuntariamente. Era a lembrança mais viva de seu passado, um passado recente, mas que parecia a muitos anos de distância. Um passado quase morto, não fossem as poucas lembranças felizes que ainda restavam.
Beijou as flores com um carinho pueril e continuou firme em sua caminhada rumo ao futuro. O que sofrera ficara para trás, o que aproveitara de bom também, e agora o que importava era o que viria, não o que passara. Tudo o que era bom não lhe pertencia mais, e ele se sentia completamente suscetível a qualquer infortúnio que lhe pudesse ocorrer. Há muito decidira não levar nada de sua vida anterior à sua partida e, apesar das dificuldades, conseguira cumprir à risca sua decisão. Claro que haviam coisas que mereciam ser levadas; todavia, elas sempre se interligavam com fatos e coisas não memoráveis de um passado frio e hostil, o qual sempre o assombrava nos momentos mais inesperados.
Caminhou, caminhou, cansou-se, caminhou novamente, deicidiu não mais olhar para o que havia atrás de si. “Acabou-se”, pensou ele. “O que tenho para fazer é o agora, nesse instante, nestas circunstâncias. Nem o ontem, nem o amanhã; somente o hoje.”
E assim foi, andando cuidadosamente por seu novo caminho e seu ainda mais novo destino. Desconhecido, determinado e só, unicamente só.